Até mesmo as universidades que formam os profissionais contábeis
ainda não despertaram para o fato de que existe uma necessidade imediata
em formar contadores com pensamento de gestores e não somente operacionais,
relegando a concentração de idéias a segundo plano. Apesar
da gritante necessidade mercadológica, a maioria das instituições
do ensino superior insiste em enfatizar somente a contabilidade histórica
ou financeira; e pior, usando metodologias completamente obsoletas. Exemplo disso é que
a maioria dos professores das disciplinas de contabilidade básica ensinam
exaustivamente as famigeradas contas "t" como se conhecer razonetes
fosse o fato mais importante para o profissional. Às vezes nem explicam
ao aluno que no dia-a-dia isso não é utilizado, que essa é apenas
uma fórmula didática para o aprendizado e assimilação
do funcionamento da contabilidade.
O termo "contador gerencial" não é novo. A contabilidade
gerencial surgiu após a Revolução Industrial, que ocorreu
no século XVIII, devido a necessidade de levantar os custos do valor
do processo de conversão de mão-de-obra e materiais em novos
produtos. Segundo Silvio Aparecido Crepaldi, o contador gerencial é definido
pelo IFAC - International Federation of Accouting (Federação
Internacional de Contabilidade) como um profissional que: "...identifica,
mede, acumula, analisa, prepara, interpreta e relata informações
(tanto financeiras quanto operacionais) para uso da administração
de uma empresa, nas funções de planejamento, avaliação
e controle de suas atividades e para assegurar o uso apropriado e a responsabilidade
abrangente de seus recursos".
Tão importante saber como se comportou a empresa no passado, com base
nas informações da contabilidade financeira, também interessa
ao empresário saber o que fazer no futuro, traçar estratégicas
para situações de dificuldades a serem enfrentadas, fazer um
planejamento das atividades, elaborar seu fluxo de caixa, executar um orçamento
de vendas, enfim, utilizar-se da contabilidade como ferramenta de gestão
empresarial. O profissional contábil que for bem mais além que
registrar os atos e fatos administrativos certamente poderá atender
essa demanda, tornando-se um contador gerencial.
Para conhecer a contabilidade gerencial, o contador necessita conhecer também
a contabilidade financeira, regida pela Lei 6.404/76 (ou lei das S/A´s-aplicáveis
a demais empresas), mas isso não é tudo. As análises das
demonstrações contábeis oriundas da contabilidade financeira
fazem parte do pacote da contabilidade gerencial: análises de desempenho,
análises horizontais e verticais, análises através de índices
(liquidez, endividamento e rentabilidade) e análise de custo/volume//lucro.
O profissional contábil, ainda que seja difícil, pode delegar
mais atribuições rotineiras a assistentes enquanto que ele poderia
certamente contribuir ativamente com seus conhecimentos contábeis e
gerenciais com os novos rumos da organização. Os empresários
agradecem.